FATOS REAIS

Filmes baseados em fatos reais, quando bem feitos, sempre dão aquela vontade de provar para nós como existem pessoas batalhadoras, histórias tristes e suspenses reais. Acabam, toda vez, inspirando-nos a pensam melhor nos fatos e acreditar que tudo é possível.

REDES DE PESCA

O primeiro deles, “A Última Onda”, rodado em 2006 com Paulo Zulu, Nívea Stelmann e Nelson Diniz no elenco, relatou a morte de surfistas em redes de pesca no litoral norte do Rio Grande do Sul. Fato real, que ainda vem revoltando muita gente.

“A Última Onda” é ambientada ao longo de uma orla costeira, povoada por memórias de antigas culturas, onde ouve-se falar de um surfista que poderia ter sido um dos melhores do mundo, mas que chocou a todos quando, sem mais nem menos, apareceu morto na beira mar. A partir daí, um pescador obcecado pela profissão, uma humilde garota sensitiva e um surfista revoltado pela perca do irmão, serão levados além das fronteiras do real, onde a dor da perda de quem entra no mar e nunca mais sai é explorada com elementos dramáticos e sobrenaturais.

ONDA

Logo depois de finalizado, o filme levou essa triste realidade Rio Grande do Sul a fora ao ter sido freqüentemente divulgado pela imprensa nacional. Foi lançado no Surf Beach Show em SP e exibido no ASR San Diego – Califórnia, EUA. Entrou no ar em horário nobre pela televisão gaucha e em rede nacional pela CNT.

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“Eu queria fazer um filme de surf com conteúdo, e não apenas com imagens bonitas. Na verdade, em dezembro de 2005, ia começar a rodar o curta ‘Inferno Tropical’ com Miguel Fallabela, quando o Malik Joyeux morreu no Hawaii. O guri era fera! Fiquei chocado, e com essa onda de desastres em nosso litoral, parti com tudo para esse novo projeto. Apresentei o roteiro aos artistas e na mesma hora eles aceitaram participar voluntariamente.” Comenta o diretor Pedro Foss, que em cima desses fatos, escreveu uma história de ficção ambientada num pacato vilarejo litorâneo do sul.

“Sem dúvidas foi um filme muito difícil de ser produzido. Grande parte da produção foi rodada no Rio de Janeiro, e como não tinhamos recursos suficientes, muita coisa foi improvisada.” Comenta Marta Lisboa, atriz e assistente de direção.

Conforme o site 360graus, o surf hoje é o esporte náutico mais praticado no mundo. No Brasil são 8 milhões de praticantes. Hoje a modalidade é a segunda mais praticada no país, perdendo apenas para o futebol. Esses dados colocam a comunidade do surf em destaque no cenário desportivo nacional, porém o desenvolvimento deste esporte poderia estar muito mais adiantado se não fosse a questão da segurança.

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Com a mudança do perfil da preferência esportiva dos jovens e adolescentes pelos esportes de “adrenalina” notamos uma grande evolução nos últimos anos dos esportes ditos radicais. Paralelo a esse crescimento do interesse pelo desafio, uma estatística surge e nos coloca diante de um impasse. Morrem mais surfistas no Sul do Brasil, em virtude das redes de pescadores, do que com os tubarões, corais ou ondas gigantes.

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No Rio Grande do Sul, desde 1984, ocorreram em média de 2,5 mortes por ano de surfistas em redes de pescadores. Diante dos acontecimentos, foi criada uma lei no RS delimitando áreas de surf e de pesca. Porém, como grande parte das leis no país, ela não é cumprida e ainda possui falhas.

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Existe uma delimitação de 500 metros de praia para pesca, e 500 para surf, só que o mar no Rio Grande do Sul é aberto e favorece uma grande influência das correntes. Em dia de corrente forte esse percurso é feito em poucos minutos pelo surfista, ele cruza toda a área para surf antes mesmo de conseguir entrar no mar. E acaba tendo que, inevitavelmente, passar por cima das redes.

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Então foi a vez de um surfista experiente, com aproximadamente 40 anos e pai de dois filhos, o que enterrou de vez a teoria de que as mortes poderiam ser por inexperiência dos surfistas. Mário Xavier estava surfando no dia 27 de dezembro na praia de Mariluz quando perdeu a vida em uma rede perdida no mar, em plena área de surf. Mesmo com a pesca proibida de 15 de dezembro a 15 de março em todo o litoral gaúcho.

Antes disso, em maio de 2005 a surfista de 21 anos Julia Rosito também foi vitima de um cabo de rede. Foi mais uma morte na praia de Cidreira, a praia que mais vitimou surfistas no Estado.

E por último, o estudante Lucas Boeira Dias, de 22 anos, foi morto em 11 de abril desse ano, depois de também ter ficado preso em uma rede de pesca enquanto surfava, em Capão Novo, balneário que pertence ao município de Capão de Canoa. Foi enterrado no Cemitério Jardim da Paz, em Porto Alegre, com clima de revolta pelas circunstâncias da morte.

LUCAS BOEIRA DIAS (ARQUIVO FAMILIAR)

LUCAS BOEIRA DIAS (ARQUIVO FAMILIAR)

Lucas cursava o segundo semestre de Engenharia Eletrônica na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), e era sócio do pai e do irmão gêmeo, Fábio Dias, numa empresa de equipamentos médicos.

Campanhas Educativas da Federação Gaúcha de Surf fazem parte do projeto para diminuir o numero de acidentes no mar. É necessário, no entanto, algumas regras básicas por parte dos surfistas, como verificar a direção da corrente, localização das redes e principalmente usar material de segurança adequado e com qualidade.

FOTO: MIGUEL NORONHA

FOTO: MIGUEL NORONHA

Ao todo já são 48 mortes causadas por redes de pesca no Rio Grande do Sul, a maioria no inverno, onde o litoral é carente de infra-estrutura para receber centenas de surfistas que se deslocam todo o final de semana em busca da prática do esporte.

Os surfistas gaúchos, no entanto, não querem ir contra a pesca, muito pelo contrário, pois muitos surfistas são também pescadores, filhos de pescadores e admiradores da pesca, que é uma atividade divina e primordial, que também é de grande fomento econômico ao litoral. O que se clama, é o abandono deste tipo de material antiquado e inadequado, totalmente fora dos padrões de segurança, inadequado aos dias atuais. Essas redes, a deriva, esticadas da praia para o mar, com pequenas bóias dentro da água, quase imperceptíveis, são verdadeiras armadilhas lançadas ao azar de quem com elas topar.

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O fato é que ano vai, ano vem e a realidade é sempre a mesma. Como animal esperando o abate, vive assim o surfista gaúcho. Envergonhando-nos como surfistas gaúchos, em viver no único lugar do mundo onde existem armadilhas humanas dentro do mar.

MITOMANIA

O segundo curta a ser baseado em fatos reais, é o ainda inédito “Pseudo”, previsto para ser lançado em junho desse ano.

“Pseudo” é estrelado por Sheron Menezes e Cláudio Heinrich, e baseado no relato de uma paciente mitomaniaca do Instituto Psiquiátrico São Pedro, de Porto Alegre.

pseudo

“Fiquei sabendo através de uma amiga, que sua tia tinha o estranho hábito de contar mentiras. Ela mentia tanto, que as vezes passava a acreditar nos absurdos que contava para os outros. Tinha vezes que ela mesma se dava conta e dizia ‘não acreditem no que eu estou falando… isso não é verdade’.  Achei o argumento tão interessante que resolvi transformar em filme. Escrevi o roteiro e convidei a Luciana Gimenez para ser a protagonista. Ela aceitou o convite. Incluse vi ela comentando do filme numa dessas revistas de fofocas de celebridades. Porém começou a ficar complicado fechar datas, e mais complicado ainda, levar a Luciana de São Paulo ao Rio de Janeiro, sem recursos de produção. Então acabamos fechando com artistas do Rio de Janeiro mesmo. O Cláudio Heirich foi um dos mais parceiros, a ponto de nos ceder a casa dele, como set de filmagens.” Comenta o diretor Pedro Foss.

Para os que não sabem, a mitomania é a compulsão pela mentira, um disturbio que as pessoas podem desenlvolver ao longo da vida passando a viver no mundo que elas criam, acreditando na realidade inventada por elas.

Normalmente, as mentiras dos mitomaníacos estão relacionadas a assuntos específicos. Uma menina cujo pai é violento, por exemplo, pode começar a inventar para as colegas como sua relação com o pai é boa e divertida, contando sobre passeios e conversas que nunca existiram. Mas não costuma mentir sobre todos os outros assuntos, diferentemente dos mentirosos compulsivos. Justamente pelos mitômanos não possuírem consciência plena de suas palavras, os mesmos acabam por iludir os outros em histórias de fins únicos e práticos, diferentemente daquele que mente em qualquer ocasião.

Quanta-mentira-em-um-s-texto

Dizer a verdade é um sofrimento para quem tem mitomania, doença definida como uma forma de desequilíbrio psíquico caracterizado essencialmente por declarações mentirosas, vistas pelos que sofrem do mal como realidade.

Desse ponto de vista, podemos dizer que o discurso do mitômano é muito diferente daquele do mentiroso ou do fraudador, que tem finalidades práticas. Para estes, o objetivo não é a mentira, sendo esta apenas um meio para outros fins. Contam histórias ao mesmo tempo que acreditam nelas. É também uma forma de consolo.

Esse distúrbio tem sua origem na supervalorização de suas crenças em função da angústia subjacente. Muitas vezes as mesmas se apresentam unidas à angústia profunda, depressão e pós depressão.

De um lado, o mitômano sempre sabe no fundo que o que ele diz não é totalmente verdadeiro. Mas ele também sabe que isso deve ser verdadeiro para que lhe garanta um equilíbrio interior suficiente. Em determinado momento, o sujeito prefere acreditar em sua realidade mais que na realidade objetiva exterior. Ele tem necessidade de contar essa história para se sentir tranqüilizado e de acordo consigo mesmo.

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A mitomania não pode ser considerarada como uma mentira compulsiva, e sim uma uma doença que se não tratada pode causar transtornos sérios à pessoa que possui. Em geral, essa manifestação deve-se à profunda necessidade de apreço ou atenção.

Não se sabe ao certo os motivos pelos quais a mitomanía se manifesta no indivíduo. Primeiro, porque acarreta milhares de fatores sócio-psicológicos da pessoa afetada, e segundo, porque enfatiza uma situação social podendo, então, mostrar-se eventual dependendo das circuntâncias presentes na época em que o indivíduo está vivendo. Na maioria das vezes é por desejo de aceitação daqueles que o rodeiam e também por grande afeto que tem por seus companheiros.

A cura do indivíduo reside muitas vezes na implementação de um quadro de cuidados que associa o tratamento em meio psiquiátrico do problema subjacente a um acompanhamento psicoterápico. Tal acompanhamento torna-se a parte mais importante, sendo realizado pelas pessoas que rodeiam o mitômano e que o mesmo requisitou para ajudá-lo. É importante nunca negar ao mesmo tal acompanhamento, sendo este a chave para a cura, até mais importante que um tratamento psiquiátrico.

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~ por pf em Maio 7, 2009.

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